Diante de mim uma montanha vejo
Brilha um brilho prata a criatura
Só não pode brilhar mais
Oh! Monstruoso abandono
Pois sobre ela descansa a suja e densa crosta
De comida não comida que já começa a se mover.
Dormem dóceis sob o solo as cigarras, que em seu sono à sete anos de paz, silencioso sossego dos monges, semeiam o momento justo de sair à luz.
Rompem a rústica terra os reféns que lá residiram em respeitosa paciência, rasgando o útero de pedra encharcada d'água. Buracos de um parto à própria força.
E saindo ao dia já impacientes as cigarras, ditas singelas, gritam incessantemente seu hino ígneo em sítios inflamados. Incríveis sinfonias em ode à vida.
Sina feliz daqueles que nascem somente para celebrar sua união.
3 de Outubro, nem Carnaval, nem natal.
Domingão. Chuvão, sem churrasco.
É 3, salário? Não, muito cedo.
Ah, votação! Enrolação.
Pão fila urna voto.
Democracia? Não, é só papel no chão.
Sujeira, bagunça, baderna.
Quem jogou? Nunca sei.
Quem limpa? Alguém que come a um salário mínimo.
Já recebeu? Não, ainda é dia 3.